A VIRADA DO STAND-UP

No exato momento que @Fabio_Silvestre foi no camarim do meu solo me convidar para uma série de shows ao ar livre na Virada Cultural de São Paulo a cena toda se montou na minha mente: Eu me apresentando pra curiosos que passavam por alí. Um público que talvez nem estivesse afim, com dificuldades de escutar por causa do eco do viaduto. Pessoas jogando coisas em mim, me vaiando se eu opinasse sobre A ou B. O prejuízo causado pelo espaço, hora e lugar a um gênero intimista por natureza. Algum blog ou jornal contando como foi constrangedora minha participação no evento.

Voltei a enxergar o Fábio na minha frente e disse: 

- Sim! Eu topo!


Quando ele saiu do meu camarim eu imaginei tudo aquilo novamente. Disse pros meus botões:

- Estou ferrado!

 

Nem de perto imaginei que aquele seria até então o maior evento da comédia stand-up nacional. Tal palco definitivamente provou para público e comediante que o que começamos sem pretensão em bares pouco tempo atrás não é uma modinha passageira e sim um gênero estabelecido e reconhecido. 

 

 

Talvez pra um enorme público a surpresa foi comediantes desconhecidos mostrando ter mais habilidade em fazer rir do que alguém inventado e jogado goela abaixo da massa por alguma emissora de TV poderosa. Pros comediantes a surpresa não foi apenas a quantidade de pessoas que se juntaram para assistir o show e sim a qualidade do público.  Os espectadores dessa virada foram os que todo comediante quer todas as noites em seus shows. Riam. Aplaudiam. Vaiavam. Gritavam. Levantavam a mão pras perguntas. Fizeram silêncio pra acompanhar o raciocínio.  Mais de 50 mil pessoas saíram de casa, homens, mulheres, jovens, casais, idosos, reunidos em grupos de amigos ou sozinhos, cientes que iriam asssitir não uma peça ou esquete de comédia, mas especificamente stand-up!

 

No bastidor, prestes a se apresentar pra uma multidão, era divertido ver os comediantes lembrando como no início precisavam implorar pra dono de bar deixar fazerem show pra 5 pessoas.

 

Lembrei de uma conversa que tive certa vez com  @BrunoMotta. Ele bem observou que, diferente de poucos anos atrás,  hoje, na legenda  de filmes, numa revista ou jornal, o termo STAND-UP COMEDY é grafado sem precisar de uma adaptação, subtítulo ou ˜livre interpretação˜ para que entendam o que está sendo dito. Esse termo se tornou auto-explicativo. E arrasta multidão!

 

 

Vejo gente nova aparecendo com piadas originais matadoras e gente já consagrada roubando piada de americano e fingindo que engana todo mundo enquanto paga de gênio. Vejo gente que era ruim ficando boa e gente que era boa ficando pra trás . Gente fraca que não tem jeito pra coisa e gente que sempre foi ótima ficando melhor ainda. Vejo crítico que não gosta de piada criticando comediante por fazer piada e crítico que não conhecia esse humor elogiando porque foi surpreendido. Gente talentosa aparecendo e  gente ruim que todos desejam que suma. Essas nuances é sinal de uma só coisa: Diferente do que já ouvi em alguma esquina, o Stand-Up Comedy é gênero estabelecido, e não modinha passageira. E estou feliz. Me considero uma pessoa de muita sorte por fazer parte disso. Obrigado ao público que buscava o que tínhamos para oferecer.

Pode ler essas notas? São curtinhas e complementam as impressões que tentei passar dessa excelente experiência:

 

 


 Escrito por Danilo às 00h13 []

[Envie este lixo pra alguém]

  

 

 

 

Veja o Vídeo! Veja o Vídeo! Veja o Vídeo! Veja o Vídeo! Veja o Vídeo! Veja o Vídeo! Veja o Vídeo! O que é Stand-up? ml>